quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Adoração: Um estilo de vida




“Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e verdade”. João 4.23,24.

Por muitos anos tenho aprendido e ensinado sobre adoração e, cada vez mais, reconheço que esse é um assunto sobre o qual o Espírito de Deus precisa nos ensinar muito mais. Desde o início de meu ministério me deparei com essas palavras de Jesus. O Espírito Santo abriu meu coração para buscar um entendimento mais amplo dessa verdade. Tenho um profundo desejo de vivê-la, pois, Jesus afirmou que é exatamente isso que o coração do Pai procura.

Entendo que Deus não busca adoração, pois, dela o céu está repleto. Compreendo, pela Palavra, que Deus procura adoradores mais que adoração e que eles o façam em espírito e verdade.

Este artigo não pretende ser um tratado completo sobre esse assunto. Mas, sim, uma reflexão de um coração que a cada dia diz ao Pai: “Eis-me aqui Senhor, quero ser um entre os adoradores que procuras. Quero ser encontrado por Ti, ó Pai, no meu viver, no meu lar, no meu ministério, dia após dia, onde eu estiver; e que tu possa contar comigo como teu adorador”.

Quero, com todo o amor, projetar aos que trabalham nessa área da vida da igreja a minha experiência como adorador, músico, compositor e produtor. Será a palavra de quem, por muitos anos, tem participado nesse setor da vida da igreja local como na extra local. Palavra dirigida a todos aqueles que servem a Deus nesse campo, buscando ajudar aos que procuram, como eu, serem verdadeiros adoradores.

A Semente

Desde pequeno cresci em uma congregação evangélica, onde aprendi que a adoração a Deus era uma forma diferente de se cantar. Quando nos reunimos nos cultos havia um tempo inicial dedicado ao cântico de “corinhos de adoração”, visando preencher o espaço em que as pessoas chegavam e se preparavam para participar do encontro. Durante o culto os hinos eram cantados pelo hinário, os testemunhos eram apresentados e a Palavra era ministrada. Assim, por muito tempo, o conceito que eu possuía de adoração limitava-se ao que fazíamos nos momentos que antecediam ao culto.

Assim como eu, muitas pessoas devem ter recebido esse ou outros conceitos não corretos de adoração, levando-as a um enfoca a adoração como uma forma, um estilo, ou um espaço de tempo a ser preenchido.

Para muitas pessoas adorar é um ato contemplativo que busca uma aproximação maior a Deus. Era, assim, que os monges medievais compreendiam. Uma contemplação de Deus, feita na vida reclusa que levavam, em total separação do mundo exterior. Assim, passavam grande parte de suas vidas em celas solitárias, confinados em clausuras, contemplando e adorando a Deus. Não digo que tais conceitos estejam de todo errados, porém afirmo que adoração é algo que vai muito além de formas ou expressões estereotipadas, pré-determinadas pelo tempo, espaço e estilo.

Tudo isso, entretanto, expressa uma grande verdade, a adoração começa com a busca que um ser humano faz para estar diante do Deus Criador. Adoração é fruto de uma “semente” que Deus plantou no coração do homem ao criá-lo (Gênesis 1.26,27). Antes que o diabo plantasse a semente do joio da rebelião e da desobediência, Deus já semeara a sua preciosa semente – sua imagem e semelhança – ao soprar-lhe o fôlego de vida (Gênesis 2.7). É a presença dessa semente divina que leva o homem a buscá-lo. Em cada pessoa que nasce a semente se faz presente e a acompanhará por toda a sua vida. Desde as mais longínquas civilizações que temos conhecimento, o homem, de diferentes formas, buscou a Deus, até mesmo não tendo noção das dimensões do que fazia. Ao estudarmos qualquer uma das culturas da humanidade veremos que existiu, em todas, uma centralização na busca do divino, do desconhecido, do sobrenatural, da razão de existir, do santo e do ser. Quando um nativo se prostra diante do sol, em seu interior há uma procura de Deus. Quando os pagãos fazem seus sacrifícios a diferentes divindades e entidades, revela-se uma busca incessante daquele que o criou.

O diabo sabendo da existência dessa semente procurou fazer com que o homem se satisfizesse com mentiras e ilusões. Assim ele quer, nas mais diferentes seitas e religiões, transferir o poder de Deus para distintos espíritos enganadores. Ele tenta anular o poder do sangue de Cristo usando o sangue de animais e de aves. Entretanto, nada disso, nem mesmo outros sofismas demoníacos podem anular, substituir ou satisfazer a “semente” que está na pessoa humana. Nem mesmo qualquer ídolo moderno como o dinheiro, conforto, lazer e prazeres poderão fazê-lo.

Em Efésios 1.5,12,14 há a afirmação de que o homem foi criado para glória de Deus. Deduzimos, assim, que o homem foi formado para ser um adorador do Deus vivo, único e verdadeiro, que o criou. O homem vive para ter comunhão com o Deus, eterno e único. A “semente” pode estar nele adormecida, mas não lhe poderá ser tirada.

A adoração se expressa através de nós quando nos voltamos para Deus, reconhecendo o que ele é, o que ele representa para nós e, conseqüentemente, quando entregamos-lhe o que somos e o que temos, para que tudo redunde em glória ao seu nome.


O porquê da Adoração

O relato de Mateus 4.10 sobre a tentação de Jesus, apresenta a resposta de Jesus ao diabo: “ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto”. Jesus usou as palavras de Êxodo 20.4,5 onde se encontra a ordem de Deus ao povo de Israel de que, só a ele, deveriam adorar e prestar culto. A constante vontade de Satanás é roubar o que só a Deus é devido – a adoração e o louvor. Mesmo sabendo que fomos criados para o louvor e glória do Deus vivo [“a fim de sermos para louvor de sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo” - Efésios 1.12], o inimigo busca de todas as formas, deturpar o culto a Deus, limitando-o à formas e costumes, amoldando-o à cultura e aos padrões humanos, impedindo que se expresse o desejo do coração de Deus.

A adoração que Deus esperou do povo de Israel ele, agora, procura encontrar na vida da Igreja. Sutilmente, a idolatria com seus ídolos, em diferentes formas, infiltraram-se no culto da cristandade, corrompendo o entendimento dos líderes e do povo que lhe pertence.

Ao longo dos anos, tanto a forma de culto, tanto a pagã como a judaica, centralizou-se nos templos. A fé cristã lançou a noção de que os discípulos de Jesus são templos vivos, onde Deus habita. A Palavra declara: “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (I Coríntios 3.16). Muitas vezes essa noção foi perdida, e o povo de Deus tornou-se dependente do sacerdócio daqueles que, comumente, são denominados: “ministros de louvor”. Com isso, perdeu-se a espontaneidade de cada pessoa adorar e louvar individualmente. Parece-nos que voltamos ao tempo em que, para haver adoração, era preciso ter locais próprios para isso, um sacerdócio especial, imagens e ídolos, intermediando o louvor a Deus. Perdeu-se a noção dada os remidos da “intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo o grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado da má consciência e lavado o corpo com água pura” (Hebreus 10.19-22).

Hoje, o Pai está restaurando toda a verdade e, em especial uma viva vida de relacionamento dos seus filhos com ele. Assim, toda a intermediação está encerrada, pois, Jesus Cristo é o único intermediário entre os salvos e o Pai Salvador. Por todo o mundo está surgindo um novo culto de verdadeira adoração àquele que disse: “ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6). Quando Jesus focaliza ao Pai, ele focaliza a si mesmo, pois ele disse: “Quem me vê a mim vê o Pai” (João 14.9) e, também, focaliza o Espírito Santo – “o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome” (João 14.26). A Trindade Santa deve ser o único foco da verdadeira adoração.

Por diversas vezes já fiz a pergunta: porque devemos adorar a Deus? Essa pergunta invade o meu coração, pelo fato de entender que Deus é suficiente em si mesmo. Sua grandeza e majestade possuem o mais alto grau de expressão. Para Deus ser completo ele não necessita do que lhe possamos ofertar; ele não precisa de nossos sacrifícios de louvor e adoração para se rejubilar e se sentir feliz; ele não requer nosso amor para sentir-se amado, pois nele está a fonte do verdadeiro amor. “Deus é amor” define João (I João 4.16). Antes de nos criar, ele já existia em sua plenitude e era completo com o Filho e o Espírito Santo. Juntos participavam da plenitude eterna. Eis a razão de dizermos que o Pai não se preocupa com a adoração, mas, sim com os adoradores.

Para Deus ser completo não necessita do que lhe possamos ofertar; nem de nossos sacrifícios de louvor e adoração para ter alegria e sentir-se feliz; ele não precisa de expressões de amor para sentir-se amado, pois, ele é o próprio amor (I João 4.8). Antes de nos criar, ele já existia em sua plenitude e era completo com o Filho e com o Espírito Santo. Perfeitos em unidade eles participam de uma eterna plenitude. Juntos, são a plenitude em todas as coisas, inclusive de toda adoração, alegria e júbilo. Eis a razão de pensar de que o Pai não procura adoração, pois a adoração preenche todo o céu. O profeta Isaias diz: “eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas; com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia de sua glória” (Isaias 6.1-3). Os céus estão repletos de adoração, Deus procura por filhos que o adorem.

Quando medito sobre isso, vem ao meu coração que, acima de tudo, existe algo na adoração que é de importância vital, não para Deus, mas, para os adoradores. E, se ele procura adoradores é porque o seu amor quer que as suas criaturas, na terra, participem de uma preciosa comunhão com o seu Criador. É a atitude da criatura, em seu livre arbítrio que determinará ser ou não um adorador. Deus nos deixou com essa opção. Ele que governa todas as coisas poderia ter feito o homem como um adorador nato, tal como os anjos são. Mas, assim não fez, porque quer uma adoração que parta, livre e espontaneamente, do coração humano.

Deus nos deixou a opção de adorar ou não adorá-lo. Ele que tem em suas mãos todo o governo poderia fazer com que toda a criação fosse de adoradores, tal como são os anjos no céu. Mas, ele não fez assim, deixou-a livre para fazer uma ou outra coisa. O adorador é aquele que faz uma opção por Deus, opta por Jesus como seu salvador e pelo seu reino; opta em ter uma livre comunhão com Deus, que não é imposta pela vontade divina, mas é uma livre opção de amor! A parte de Deus sempre é perfeita e completa, seu amor é inquestionável, mas, ele espera uma atitude recíproca de nossa parte. A verdadeira adoração é uma opção do nosso amor abrindo-se ao amor de Deus!

Qual é nossa opção? Deus governa sobre todas as coisas, mas deixa-nos adorá-lo ou não. A atitude correta é amá-lo e adorá-lo! A adoração é algo que satisfaz e alegra o coração de Deus, mas beneficia também o adorador, pois esse, ao optar em agradar a Deus, cumpre a sua parte nesse enlace de amor. A adoração sempre emana do amor. É o amor que lhe dá conteúdo. E, como Deus quer ser amado por nós! O que dá eficácia à adoração é o amor. Ele dá conteúdo a nossa adoração e expressa, de forma bem clara, a aliança e o compromisso que temos para com Deus e o seu reino eterno.

Amar a Deus acima de tudo

“Eu amo o Senhor, força minha” (Salmo 18.1).
O que deve caracterizar o adorador não é a sua maneira de cantar e louvar, mas, sim, o profundo amor para com Deus. O que mais me chama a atenção nas vidas de homens como Abraão, Davi, os profetas e os discípulos de Jesus, é o profundo amor que deles fluía para com Deus. No Salmo 18.1
Davi expressa: “Eu te amo, ó Senhor”. Jesus externou o seu incondicional amor ao Pai, através de um viver inteiramente voltado à obediência. O amor ao Pai enriqueceu sua vida de devoção, adoração, submissão e, principalmente, na obediência e sacrifício – “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (João 4.34).
Quando falo sobre o amor, falo do amor “de Deus derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado” (Romanos 5.5), amor que nos leva a uma comunhão que nada deste mundo pode quebrar.
Paulo, em Romanos 8.35, faz uma pergunta:: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou a perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?”, e concluí nos versículo 38 e 39: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as cousas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem as alturas, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”.
Se esse amor está em nós, nosso coração transbordará em louvores.
Entendo que esse amor do qual Paulo fala é um amor sobrenatural, que é a expressão da presença do Pai que vive em nós. É esse amor que nos compele a amá-lo acima de todas as coisas. A prescrição de Moisés ao povo sob sua liderança foi: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus” (Deuteronômio 11.1).
É pela graça que, agora, nós podemos amar a Deus através do Espírito Santo. A minha constante pergunta é: O que é amar a Deus e, quanto eu o amo?” O nosso amor é provado quando passarmos por provações. Por exemplo: Quando não estamos bem financeiramente, isto interfere no nosso amor? Interferindo, então, precisamos rever os fundamentos nos quais edificamos o amor que dedicamos a nosso Pai Celestial.
Adoração é uma resposta dada ao constante amor de Deus por nós. Esse amor deve ser incondicional, tal como foi o amor de Abraão para com Deus, dispondo-se entregar, em um sacrifício, o seu próprio filho. Foi, assim, da mesma forma e com a mesma intensidade de amor para conosco, que Deus deu ao seu próprio Filho para nos substituir no holocausto da cruz


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A Adoração e o Conhecimento da Palavra



O conhecimento bíblico é absolutamente indispensável para a adoração.

Em primeiro lugar, mesmo compreendendo o que a adoração significa, é preciso que ela esteja baseada no conhecimento bíblico. Os termos bíblicos usados para "adoração" são os mais antigos e, sendo assim, para entender o que significa adorar devemos começar com o estudo dos termos em seu contexto bíblico. Essas passagens não são meros textos isolados, mas fazem parte de um contexto histórico no quais vários hábitos e costumes ali descritos se desenvolveram. Por exemplo, a razão pela qual o livro de Hebreus (no capítulo 13) define a adoração como sendo o ato de repartir o fardo com as outras pessoas está relacionada com a visão que os judeus tinham de Jesus como sendo o complemento do sistema sacrificial do Antigo Testamento. Assim, para o autor de Hebreus existe a necessidade de redefinir a adoração sacrificial por causa dessa mudança.

Em segundo lugar, a adoração é a base da submissão a Deus. Sem um conhecimento bíblico adequado, como conheceremos esse Deus e como saberemos que tipo de submissão o agrada? Nós devemos afirmar que esse conhecimento virá através da pregação ou do nosso conhecimento teológico generalizado, mas é um tanto quanto problemático afirmar isso. O conhecimento teológico depende das Escrituras. Devemos ser capazes de avaliar as diversas vozes teológicas no universo cristão. Por causa dessa dependência da Bíblia, essa avaliação vai requerer uma compreensão completa do texto bíblico.

Além disso, nem todos os líderes de louvor têm uma boa base bíblica. Talvez alguns sejam como eu — uma pessoa que cresceu com a Bíblia sendo lida diariamente em meu lar. Outros não tiveram essa oportunidade e não terão profundidade bíblica suficiente para desempenhar seu trabalho sem que gastem tempo com estudo intensivo e continuado da Bíblia. E isso não acontece ouvindo sermões. Uma pessoa pode ouvir no máximo dois sermões por semana, e esses sermões precisam ser avaliados, pois nem sempre as mensagens entregues nas igrejas são equilibradas — talvez por causa da necessidade de focar em situações específicas de uma determinada congregação. A única maneira de estar certo de que estamos adorando o verdadeiro Deus de um modo que ele se agrade é estudando o texto das Escrituras de maneira pessoal.

Em terceiro lugar, a adoração contém em si mesma a Palavra, e se não temos uma compreensão perfeita das Escrituras provavelmente não entenderemos os assuntos e os símbolos dos textos sobre adoração que estamos usando. Isso pode nos levar a fazer comparações estranhas, interpretações incorretas ou até mesmo ignorar assuntos relevantes. Junte-se a isso o fato de que muitos líderes de louvor também são compositores. Como alguém pode escrever canções sem que esteja imerso nas Escrituras, a ponto da verdade bíblica estar refletida em suas letras? Além disso, depois de ser escrita, a música precisa passar por uma crítica bíblica e teológica. Uma amável figura poética pode estar sendo usada de uma maneira equivocada, ou até mesmo pode conter uma heresia. Mesmo que o autor peça para que alguém faça essa crítica para ele, o primeiro avaliador deveria ser o próprio compositor.

Em quarto lugar, o líder de louvor deve cultivar um relacionamento duradouro com Deus, em que estará liderando outras pessoas na adoração. Todos nós sabemos muito bem que Deus sempre (e talvez mais facilmente e melhor) é encontrado nas Escrituras. Isso significa que se alguém começa a estudar a Bíblia com o desejo sincero de conhecer a Deus melhor, essa pessoa certamente o encontrará de uma maneira que vai além do estudo racional. Talvez alguém possa dizer, "Bem, então é só abrir a Bíblia e esperar Deus falar. Porque eu deveria me esforçar em estudar se estou procurando por um encontro pessoal com ele?" A resposta é que assim como Jesus fez com os aprendizes no caminho de Emaús, Deus prefere nos explicar mais profundamente as Escrituras que apenas falar sem usar a Palavra. Ele a escreveu. Ele a preservou. Ele tem um interesse vital em se manifestar a nós através dela. E, além disso, nas escrituras nós temos dois mil anos de ação de Deus — como poderemos ter qualquer experiência com ele hoje que seja mais valiosa que dois mil anos de experiência? As nossas experiências estão baseadas e enraizadas nos atos de Deus descritos na Bíblia.

Mas podemos ir um pouco mais além. O nosso chamado como líderes de louvor e como povo que adora é sermos aprendizes de Jesus — eu prefiro usar "aprendiz" ao invés do sinônimo religioso "discípulo". Ao olharmos para os discursos de Jesus e para os escritos de antigos aprendizes como Pedro, Tiago ou Paulo, nós vemos pessoas cujas vidas estavam impregnadas das Escrituras. Se a base da vida com Deus é seguir a Jesus e aos seus antigos aprendizes, então está claro que é impossível fazer isso sem buscarmos um conhecimento bíblico similar ao que eles tiveram.

E para finalizar, o líder de louvor precisa estudar profundamente a Bíblia, pois o seu líder no passado também o fez, e queremos ser iguais a ele.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

QUANDO PASSAMOS POR PENIEL


Gênesis 32:22-31

22 E levantou-se aquela mesma noite, e tomou as suas duas mulheres, e as suas duas servas, e os seus onze filhos, e passou o vau de Jaboque.

23 E tomou-os e fê-los passar o ribeiro; e fez passar tudo o que tinha.

24 Jacó, porém, ficou só; e lutou com ele um homem, até que a alva subiu. (amanheceu)

25 E vendo este que não prevalecia contra ele, tocou a juntura de sua coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, lutando com ele.

26 E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se não me abençoares.

27 E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó.

28 Então disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste.

29 E Jacó lhe perguntou, e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali.

30 E chamou Jacó o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva.

31 E saiu-lhe o sol, quando passou a Peniel; e manquejava da sua coxa.

32 Por isso os filhos de Israel não comem o nervo encolhido, que está sobre a juntura da coxa, até o dia de hoje; porquanto tocara a juntura da coxa de Jacó no nervo encolhido.

A Bíblia nos revela que é da vontade de Deus usar as pessoas para sua glória. Porém vemos ainda na palavra que o Senhor quer antes se manifestar a tais pessoas, ensinando-as, moldando-as, para que ai sim, elas venham ser instrumentos nas mãos de Deus.

E nesta passagem de Gênesis vemos que Jacó estava disposto a receber o manifestar de Deus em sua vida, e ele passa por Peniel e neste lugar Jacó entra de uma maneira e saí de outra forma. Peniel significa “a face de Deus”, Jacó fica face a face com Deus, e quando uma pessoa fica a sós com o Senhor, coisas extraordinárias acontecem, foi exatamente o que aconteceu com Jacó. Ele viu, sentiu o manifestar de Deus em sua vida. Mas algumas coisas aconteceram com Jacó quando ele se dispôs a ter o manifestar de Deus em sua vida.

Então, o que acontece quando passamos por Peniel?

1º Somos feridos por Deus.

25 “Quando o homem viu que não prevalecia contra ele, tocou-lhe a juntura da coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, enquanto lutava com ele.”


Jacó entra em Peniel sendo um homem que não agradava a Deus com suas atitudes, porém Jacó estava disposto a mudar seu estilo de vida, com isso o Senhor viu a necessidade de “tocar-lhe”, “ferir-lhe”, pois Jacó necessitava disso. Ele foi ferido pelo Senhor, e partir disso sua vida mudou, pois aquele sinal o acompanhou mesmo depois da peleja me Peniel. Assim somos nós, necessitamos do manifestar de Deus em nossas vidas, e muitas áreas de nossas vidas necessitam ser feridas pelo Senhor.

2º Somos confrontados por Deus

27 “Perguntou-lhe ao homem: Qual é o teu nome? E Jacó respondeu: Jacó.”


Depois de Jacó ser ferido, agora ele é confrontado. Quando lhe é perguntado o nome, enfaticamente ele responde: Jacó. Com aquela resposta é como se ele estivesse dizendo: “meu nome é suplantador, usurpador (significado), essa pergunta foi um confronto com seu caráter, naquele momento Jacó poderia ter disfarçado e não ter confessado o que realmente ele era, porém ele confessou quando foi confrontado. Assim somos nós quando pela fé estamos em Peniel, ou seja, face a face com Deus, nós somos feridos e confrontados pelo Senhor, e quando esse confronto vier até nós, que venhamos ser transparentes e confessar o que realmente somos.

“O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mais o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.” Provérbios 28:13

3º Somos transformados por Deus

28 “Então o homem disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel, porque lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste.”


Ferida e confronto, agora transformação, foi o resultado de um homem que antes levava uma vida relaxada diante de Deus, pois Jacó era um enganador e uma pessoa que havia experimentado algo com Deus quando o mesmo passou por Betel(Gênesis 28), Betel significa “casa de Deus”, ou seja, Jacó estava na casa de Deus, porém continuava sendo Jacó (suplantador, usurpador, enganador, etc), faltava o manifestar do poder de Deus na vida de Jacó, e isso acontece pois Jacó se dispôs a essa mudança. De enganador, usurpador, ele passou a ser chamado Israel. Israel significa “aquele que luta com Deus”, que transformação! Assim somos nós, havendo a ferida e o confronto, com certeza haverá da parte de Deus a transformação, que venhamos nos dispor como Jacó, para que venhamos ser chamados Israel.